quarta-feira, 9 de agosto de 2017




                                         Há 65 anos o Fluminense conquistava a Taça Rio

 

Em meados de 1952, quando completou 50 anos, o Fluminense, campeão carioca de 51, disputou a II Taça Rio. Os outros participantes da chave do Rio de Janeiro foram o Grasshoper, da Suíça, o Sporting, de Lisboa, e o Peñarol, de Montevidéu. No grupo de São Paulo, estavam Corinthians, campeão paulista de 51, Áustria, de Viena, Libertad, do Paraguai, e o Sarrebruck, da Alemanha Ocidental (na época existiam duas Alemanhas).
Na estreia, o Fluminense empatou com o Sporting de 0 a 0, no dia 13 de julho, domingo, no Maracanã. Esse jogo foi o último de Carlyle com a camisa tricolor. O atacante não se dava bem com Zezé Moreira e se transferiu para o Santos. 
Na 4a feira, dia 17 de julho, o Fluminense enfrentou o ferrolho suíço do Grasshoper. Com o placar apertado de 1 a 0, gol do estreante Marinho, substituto de Carlyle, aos 34 minutos do 2o tempo, os comandados de Zezé Moreira venceram a partida.  
As dificuldades para furar o bloqueio suíço foram grandes. No 1o tempo, o lateral esquerdo Bickell teve a oportunidade de abrir o marcador ao bater pênalti defendido por Castilho. 
No domingo, dia 20 de julho, véspera da comemoração dos 50 anos de fundação, o Fluminense ganhou de forma categórica do Peñarol, base da seleção uruguaia campeã mundial de 50, por 3 a 0. Marinho marcou o 1o gol aos 36 minutos de jogo e Orlando ampliou aos 44. Marinho voltou a balançar a rede adversária aos 30 minutos do 2o tempo.
O Corinthians, em 1o lugar, e o Áustria, em 2o, se classificaram no grupo de São Paulo. Os austríacos foram os adversários do Fluminense, 1o colocado do Rio, nas semifinais.
O Áustria praticava um futebol técnico, vistoso e possuía três destaques: o centro-médio Overick e a ala esquerda formada por Stojaspal e Auredenick.
No primeiro jogo, o Fluminense ganhou por 1 a 0, gol de Didi, aos 30 minutos do 2o tempo. Quatro dias depois, no domingo 27 de julho, a segunda partida apresentou, no 1o tempo, emocionantes viradas no marcador.
Telê abriu o placar aos 6 minutos, Stojaspal empatou aos 15, Pinckler colocou o time do Áustria na frente, Orlando fez o 2o gol tricolor aos 31 e desempatou aos 41 minutos. Na fase final, o Fluminense chegou aos 5 a 2 por intermédio de Quincas, aos 8, e Orlando, aos 20 minutos.
Na outra semifinal, num jogo de muita briga, o Corinthians eliminou o Peñarol e se classificou, com apenas um jogo, para decidir o título contra o Fluminense, porque os uruguaios se recusaram a disputar a segunda partida.
Os jogos finais com o Corinthians foram realizados no Maracanã. O primeiro, numa 4a feira, à noite, dia 30 de julho, e terminou com a vitória tricolor por 2 a 0, gols de Orlando, aos 22 minutos do 1o tempo, e Marinho, aos 26 da fase final.
Confiante, devido à excelente campanha do time, a torcida tricolor compareceu ao Maracanã, no dia 2 de agosto de 1952, para comemorar o título da II Taça Rio. O Fluminense jogava pelo empate e com o resultado de 2 a 2 sagrou-se campeão.
Didi, aos 10 minutos, marcou o único gol do 1o tempo. Na etapa final, Jackson empatou aos 11 minutos e Marinho, aos 19, fez o 2o gol. Quando faltava um minuto para terminar a partida, Souzinha igualou o marcador.
 
A conquista do Fluminense equivaleu a um título mundial, como aconteceu com o Palmeiras no ano anterior, em razão das presenças dos campeões europeus e sul-americanos. Além disso a competição foi organizada pela CBD com a autorização da FIFA. 
 
 
 
Lance da partida de estreia do Fluminense contra o Sporting
 
 
 
Marinho vence Máspoli e marca um dos gols na vitória sobre o Peñarol por 3 a 0
 
 
Cláudio e Píndaro, capitães de Corinthians e Fluminense, antes da partida final da Taça Rio
 
 
 
Píndaro dá a volta olímpica segurando a Taça Rio acompanhado por Paulista, chefe da torcida tricolor, e do ponta esquerda Quincas
 
 
 

Os jogadores após a final da Taça Rio: em pé, Marinho;  agachados e sentados, Zezé Moreira, Nestor, Robson, Quincas, Orlando, Edson, Jair Santana, Bigode, Castilho e Píndaro.

Em pé, a partir da esquerda, aparecem o Presidente Fábio Carneiro de Mendonça (3º), o Prefeito João Carlos Vital (4º) e a atriz Josete Berthal.

 
 
Elenco do Fluminense que conquistou a Taça Rio: Píndaro, Jair Santana, Marinho, Nestor, Pinheiro, Castilho, Villalobos, Edson e Zezé Moreira; Robson, Didi, Telê, Simões, Orlando, Quincas e Bigode.
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 
 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

terça-feira, 11 de julho de 2017




                                              Brasil, Copas e Craques

                                         Em 34, um jogo e nada mais – 2 -

Em 1934, as divergências eram entre os favoráveis ao profissionalismo implantado no ano anterior e os defensores do amadorismo. A CBD mantinha-se fiel ao amadorismo, enquanto a Federação Brasileira de Futebol, recém criada, defendia o profissionalismo e negava-se a ceder os jogadores dos clubes a ela filiados.
O boicote da FBF chegou ao extremo, quando confinou alguns de seus principais jogadores numa fazenda em Matão, no interior de São Paulo, bem longe do assédio de Carlito Rocha, responsável de organizar a seleção brasileira. Sob forte vigilância permaneceram incomunicáveis Gabardo, Junqueira, Lara, Romeu, Tunga.
No Rio de Janeiro, a Liga Carioca de Futebol e a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos negaram-se a ceder seus jogadores. Diante de tais fatos, a CBD, contrariando seus princípios, contratou alguns jogadores para formar a seleção brasileira.
Carlito Rocha conseguiu trazer de São Paulo os tricolores Armandinho, Luizinho, Silvio Hoffman e Waldemar de Brito. Do Rio Grande do Sul vieram Luiz Luz e Patesko e do Rio de Janeiro foram contratados Tinoco e Leônidas da Silva.
            Leônidas da Silva discorreu sobre algumas questões que envolveram a seleção brasileira com relação à Copa de 34:
            “Em janeiro de 34, eu e o Domingos voltamos do Uruguai. Os nossos contratos tinham terminado, mas assim que descemos do navio o Vasco nos contratou. Assinei um contrato de 30 contos de réis e mais um ordenado mensal de 800 mil réis.
            Naquela época, o amadorismo no futebol morria definitivamente e tudo era feito em bases profissionais. Mas muitos ainda não entendiam isso. A CBD brigou muito com os clubes na ocasião para arranjar os jogadores que queria. Pagava a peso de ouro, pois não havia convocação como hoje.
            Dois meses depois de ter assinado com o Vasco, o dirigente Luiz Aranha, da CBD, me procurou em casa, oferecendo 30 contos e ordenado de um conto. Aceitei, mas o Vasco e a imprensa não. O Jornal dos Sports chegou a abrir manchete com o título: “Patriotismo por 30 contos de réis”, por causa da minha contratação.
            Finalmente, pegamos o navio que nos levaria a Gênova. Navegamos treze dias num mar terrível e chegamos 48 horas antes do nosso jogo com a Espanha.
            Sentimos, logo de saída, que o campeonato seria da Itália. Mussolini comparecia pessoalmente ao camarote real do Estádio Nacional de Roma para incentivar a Squadra Azzura, toda composta de jogadores comprados e naturalizados, os oriundi, enquanto os torcedores cantavam a Gioveneza, canção-símbolo da nova Itália fascista.
            Ante aquele ambiente de extrema exaltação ficamos esmagados. Grande número de torcedores nos chamava de “faccetas neras”, termo que usavam para chamar os etíopes, contra quem iriam combater no começo da Segunda Guerra.
            O nosso time tinha sido escalado na viagem. A maioria entrou em campo, contra a Espanha, ainda sentindo o balanço do mar. Perdemos por 3 a 1. Nosso gol foi feito por mim, aos 11 minutos do 2º tempo. Foi apenas um gol de honra. Fomos desclassificados ao perder esse primeiro jogo”. (declarações à Revista Fatos e Fotos – edição especial de 11 de junho de 1970).
Com a desistência do Peru, no grupo sul-americano, os brasileiros se classificaram sem jogar. Participaram do mundial da Itália, além dos donos da casa, Brasil, Alemanha, Argentina, Áustria, Bélgica, Egito, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Hungria, Romênia, Suécia, Suíça e Tchecoslováquia.
Após doze dias de viagem a bordo do navio “Conte Biancamano” a delegação brasileira em companhia dos espanhóis, que embarcaram em Barcelona, chegou a Gênova.
O sistema de disputa era eliminatório e o sorteio apontou a Espanha como adversária do selecionado brasileiro. Perdemos por 3 a 1 e fomos eliminados no dia 27 de maio, em Gênova. Iraragorri abriu a contagem de pênalti aos 18 minutos, no Estádio Luigi Ferraris. Langara, o grande artilheiro espanhol, marcou o segundo gol aos 27, terminando o 1o tempo com a vantagem espanhola por 2 a 0. Leônidas fez o gol brasileiro no famoso goleiro Zamora, aos 11 minutos da etapa final, e novamente Langara balançou a rede brasileira aos 32.
O Brasil teve chance de empatar o jogo quando o árbitro invalidou um gol de Luizinho aos 14 minutos do 2o tempo e de virar o placar nos pés de Waldemar de Brito que perdeu um pênalti, defendido por Zamora, aos 25 minutos da fase final.
           
 
Tinoco e Leônidas jogadores contratados pela CBD para a disputa do mundial de !934
 
 
Seleção brasileira antes de uma partida amistosa com a mesma escalação que perdeu para a Espanha: a partir da esquerda, Martim, Pedrosa, Sylvio Hoffman, Tinoco, Luiz Luz, Canali, Armandinho, Waldemar de Brito, Leônidas, Patesko e Luizinho    
 
 
 
Leônidas por ocasião da Copa de 1934. Ele foi o autor do único gol brasileiro no mundial
 
 
A manchete do Correio Sportivo faz alusão à derrota do Brasil diante da Espanha 
 
            Luiz Vinhais, técnico que conseguiu duas vitórias sobre os uruguaios em 1931 e 32, por ocasião da disputa da Copa Rio Branco, escalou diante da Espanha: Pedrosa (Botafogo), Sylvio Hoffman (CBD) e Luiz Luz (CBD); Tinoco (CBD), Martim Silveira (Botafogo) e Canalli (CBD); Luizinho (CBD), Waldemar de Brito (CBD), Armandinho (CBD), Leônidas da Silva (CBD) e Patesko (CBD).
No dia 10 de junho de 1934, em Roma, a Itália, ganhou da Tchecoslováquia por 4 a 2 e conquistou o titulo de campeã mundial.
 
 
 
 

 

quinta-feira, 22 de junho de 2017




                                               Brasil, Copas e Craques

Daqui a um ano o mundo assistirá a abertura do 21º Campeonato Mundial de Futebol, o qual será realizado na Rússia. Já estão classificados a Rússia, país sede e o Brasil, único a participar de todas as edições da Copa do Mundo.

Iniciamos a série “Brasil, Copas e Craques” que mostrará a participção da seleção brasileira nos mundiais e os craques que se destacaram em cada edição.                  

      Na primeira Copa, uma vitória e uma derrota – I -
O futebol brasileiro é o único que participou de todos os campeonatos mundiais. Nas duas primeiras Copas realizadas no Uruguai, em 1930, e na Itália, em 1934, as divergências entre os dirigentes cariocas e paulistas impediram que a seleção brasileira se apresentasse com a sua força máxima.
A Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) reivindicou a inclusão de um dos seus membros para integrar a Comissão de Esportes da Confederação Brasileira de Desportos. O forte argumento dos paulistas era o título do oitavo campeonato brasileiro de seleções em 1929.
Frustrados com a negativa da entidade nacional ao seu pleito, os dirigentes da APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos) resolveram não ceder seus jogadores para a seleção brasileira. Condicionava a revogação da medida se a CBD recuasse da sua decisão. Tal fato não aconteceu e a Comissão de Esportes, encarregada de formar o nosso selecionado, teve que contar apenas com os jogadores do Rio de Janeiro.
A imprensa paulista, como o Correio Paulistano, se referia ao selecionado brasileiro como a “representação carioca no mundial de futebol”.
Ao contrário, os jornais cariocas apoiavam a nossa seleção. O Correio da Manhã noticiava: “a despeito de tudo e ainda do desinteresse oficial, o futebol brasileiro será representado no primeiro campeonato mundial”.
Dessa forma não pudemos contar com craques como Friedenreich, Feitiço, Del Débbio, Petronilho, Grané e outros. A exceção foi a presença de Araken Patuska, do Santos, que brigado com o clube se colocou à disposição da CBD.
Alheios a politicagem dos dirigentes cariocas e paulistas, os torcedores compareceram em grande número no cais da Praça Mauá, no dia 2 de julho de 1930, para se despedirem da delegação brasileira rumo ao Uruguai.
Nossa delegação chegou a Montevidéu a bordo do navio Conte Grande, após cinco dias de viagem, contando apenas com os jogadores cariocas do Botafogo, Fluminense e Vasco. As exceções eram Poli, do Americano de Campos, e Araken Patuska, o único paulista. 
Treze países, convidados pela FIFA, disputaram a I Copa do Mundo: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai, Estados Unidos, México, Bélgica, França, Iugoslávia e Romênia.
O elenco brasileiro era composto por: Joel (América), Veloso (Fluminense), Brilhante (Vasco), Itália (Vasco), Zé Luiz (São Cristóvão), Benedito (Botafogo), Hermógenes (América), Fortes (Fluminense), Luiz Luz (Peñarol); Fausto (Vasco da Gama), Fernando (Fluminense), Benevenutto (Flamengo), Pamplona (Botafogo), Oscarino (Ypiranga - Niterói), Martim (Botafogo), Ivan (Fluminense); Araken (Santos), Doca (São Cristóvão), Carvalho Leite (Botafogo), Moderato (Flamengo), Manoelsinho (Canto do Rio), Nilo (Botafogo), Preguinho (Fluminense), Poli (Americano - Campos), Teófilo (São Cristóvão) e Russinho (Vasco).
             Henrique Coelho Neto, o Preguinho, sentiu grande emoção ao carregar a bandeira brasileira no desfile de abertura da Copa:
            “Quando entrei no estádio, carregando a nossa bandeira na abertura da Copa de 1930, o estádio todo ficou de pé e aplaudiu. Lembro-me bem. Nós entramos logo depois da delegação dos Estados Unidos. O Zé Luís chorava e berrava: “Peito erguido, peito erguido!”. Nós todos chorávamos de emoção”.
            Preguinho comentou sobre sua convocação e falou das dificuldades enfrentadas pela nossa delegação:
            “Iniciamos o treinamento, no Rio, com dois escretes cariocas. Eu fazia parte do B. Depois veio o treinamento em São Paulo. Para este treino, nem fui convocado. No seguinte, aconteceu à mesma coisa. Não me chamaram, mas o Del Débbio, zagueiro, protestou e acabaram me convocando.
            O técnico no começo era o Vinhais. Depois, não houve mais nenhum. Eu estava em boa forma, mas precisaria competir com Feitiço e outros do mesmo gabarito, quando estourou a bomba: São Paulo não cederia seus jogadores. Para completar, no último treino, o Carvalho Leite, nosso center-forward quebrou a mão.
            Viajamos assim mesmo, sem cozinheiro, levando o nosso próprio feijão e ficando hospedados no centro da cidade, no Hotel Colon, enquanto os outros ficavam em concentração fora da zona urbana. Éramos 27 pessoas e um grande chefe, o Ministro Afrânio Costa.
            O primeiro jogo foi contra a Iugoslávia. Fazia um frio danado. Seis graus abaixo de zero era uma temperatura que nem os próprios uruguaios se lembravam de ter sentido.
            Dominamos o jogo inteiro, mas eles em duas escapadas fizeram dois gols. Quando ainda faltavam trinta minutos para acabar o jogo eu descontei. Mas aí o goleiro pegou tudo, a bola foi várias vezes na trave e perdemos mesmo de 2 a 1.
            No jogo com a Bolívia mudaram tudo. Ganhamos de 4 a 0. Fiz dois gols. A nossa ala esquerda marcou nossos cinco gols na Copa”. (Declarações a Revista Fatos e Fotos – edição especial de 11 de junho de 1970).
O Brasil ficou no grupo II com a Bolívia e a Iugoslávia. A seleção brasileira estreou contra a Iugoslávia, em 14 de julho, no Estádio Parque Central de Montevidéu. Na derrota por 2 a 1, Tirnanic e Beck marcaram os gols iugoslavos e Preguinho fez o gol brasileiro. O atacante do Fluminense entrou para a história como o autor do primeiro gol brasileiro em Copas do Mundo.
Nosso técnico Gilberto de Almeida Rego colocou em campo: Joel (América), Brilhante e Itália (ambos do Vasco); Hermógenes (América), Fausto (Vasco) e Fernando (Fluminense); Poli (Americano), Nilo (Botafogo), Araken (Santos), Preguinho (Fluminense) e Teófilo (São Cristóvão).
Em 20 de julho, no Estádio Centenário, o Brasil venceu a Bolívia por 4 a 0. A equipe brasileira sofreu seis alterações: Veloso (Fluminense) entrou no lugar de Joel; na zaga Zé Luiz (São Cristóvão) substituiu Brilhante; e no ataque saíram Poli, Nilo, Araken e Teófilo e entraram Benedito (Botafogo), Russinho (Vasco), Carvalho Leite (Botafogo) e Moderato (Flamengo). Os gols brasileiros foram assinalados por Preguinho (2) e Moderato (2).
O resultado diante dos bolivianos não foi suficiente para classificar os brasileiros, porque a Iugoslávia, vencedora do Brasil, derrotou a Bolívia também pelo marcador de 4 a 0.
Na partida final da Copa de 1930, a seleção uruguaia, bicampeã olímpica, ganhou da Argentina por 4 a 2, sagrando-se campeã mundial.
O grande nome da seleção brasileira foi um maranhense de Codó. Fausto dos Santos disputou a Copa do Mundo de 1930 com 25 anos e suas excepcionais atuações impressionaram os uruguaios que o chamaram de “A Maravilha Negra”.
Sua carreira começou no Bangu. Após se transferir para o Vasco conquistou os títulos cariocas de 1929 e 1934. No exterior, Fausto defendeu o Nacional, de Montevidéu, o Barcelona e o Young Fellows, da Suíça.
Numa entrevista ao jornal A Noite, referindo-se a derrota do Brasil por 2 a 1 frente à Iugoslávia, Fausto desabafou:
“Araken jogou como uma bailarina; Poli tinha medo da própria sombra; Nilo fugia da bola e Teófilo nem se aproximava dela”.
            Na edição número 2 da Revista 10 - julho de 2004, Carvalho Leite, aos 92 anos, centroavante do Botafogo, que substituiu Araken contra a Bolívia, em entrevista a Cristina Rigitano, lembrou alguns fatos sobre o mundial no Uruguai:
“Nós viajamos a bordo de um navio. Fazia muito frio. Saímos sem festa. O futebol não era o que é hoje. A viagem foi muito cansativa.
Por conta do vento gelado, os jogadores passaram a viagem inteira, enclausurados nos camarotes do navio sem poder se exercitar o que comprometeu muito o desempenho dos brasileiros no mundial.
Fomos prejudicados pela viagem. Em outras condições, teríamos jogado muito mais. Preguinho era do Fluminense e jogava muito. Ele dava muito trabalho”.
Carlos Dobbert de Carvalho Leite nasceu em Petrópolis e começou a jogar futebol no Petropolitano. Veio para o Rio e tentou o Fluminense, porém não foi aprovado por Luís Vinhais, técnico tricolor.
No Botafogo, Carvalho Leite conquistou os títulos cariocas de 32 a 35. O atacante alvinegro liderou a artilharia nos campeonatos de 36 (16 gols), 38 (16 gols) e 39 (22 gols).
Em 1934, emprestado ao Vasco para uma excursão à Europa, viveu um dos momentos inesquecíveis de sua vida. Na Espanha, marcou um belo gol no espanhol Zamora, considerado o melhor goleiro do mundo.
Convocado para os preparativos com vista a Copa de 38, Carvalho Leite treinou apenas quinze minutos e foi cortado por Ademar Pimenta. Segundo ele, a atitude de Pimenta era resultado de rixa antigo




 
Preguinho comparava os uruguaios, bicampeões olímpicos, à seleção brasileira

 
Seleção brasileira antes da partida de estreia contra a Iugoslávia: em pé, Brilhante, Fausto, Hermógenes, Itália, Joel e Fernando; agachados. Poly, Nilo, Araken, Preguinho e Teóphilo 

 

 
Fausto descansa durante um treino da seleção brasileira

 
Carvalho Leite quando integrou à seleção brasileira na Copa do Mundo de 1930
 
 
               

segunda-feira, 5 de junho de 2017




                          60 anos do primeiro título carioca no Rio São Paulo

A campanha invicta no Rio São Paulo

O Fluminense foi o primeiro clube carioca a se sagrar campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1957. Apesar das ausências de Castilho e Pinheiro, ambas por problemas médicos, a equipe tricolor fez uma campanha irretocável. Obtendo 7 vitórias e 2 empates.
Castilho foi substituído pelo excelente goleiro paraguaio Vitor Gonzales e no lugar de Pinheiro, que participou apenas de parte do último jogo frente ao São Paulo, atuou Roberto, revelado nas divisões de base.
 Waldo, artilheiro do torneio com 11 gols, teve atuações espetaculares e fez gols incríveis.  Marcou diante do América (1 a 0) e do Flamengo (2 a 1), dois contra o Palmeiras (5 a 1), dois frente ao Botafogo (3 a 3), um contra o Corinthians (3 a 2) e dois no último jogo com o São Paulo (2 a 1).
Na partida contra o Corinthians, no Maracanã, o Fluminense vencia por 2 a 0, gols de Escurinho, aos 20 minutos, e Waldo, aos 22 do 1o tempo, cedendo o empate na fase final. Paulo diminuiu aos 21 e Robson (contra) igualou o marcador.
Faltavam dois minutos para terminar o jogo, quando Aldo quicava a bola na grande área para repô-la em jogo. Waldo se aproximou e num rápido golpe com o pé direito tirou a bola do goleiro. Levou-a para a lateral da área, contornou o bico da grande área, ficou de frente para a meta adversária e chutou para marcar o gol da vitória tricolor. Naquela partida, o time mostrou que era sério candidato ao título. Não faltava espírito de luta em nenhum jogador do elenco tricolor.
O Vasco era o próximo obstáculo. O 1o tempo terminou com a vantagem de 2 a 0 para o Fluminense, gols de Telê, aos 13 minutos, e Escurinho aos 41. Ainda na primeira fase, Vitor Gonzales foi atingido por um violento pontapé no olho esquerdo. Preocupação na torcida e no vestiário pela possível ausência do goleiro paraguaio no restante da partida.
Alberto, goleiro reserva de Vitor, já estava preparado para substituí-lo. Porém, Vitor Gonzales numa atitude heroica, com a vista esquerda praticamente fechada, retornou para o 2o tempo e teve uma atuação excepcional.
No empate de 2 a 2 com o Santos, no Pacaembu, marcaram os gols tricolores Telê e Léo. O Fluminense conquistou o título, por antecipação, ao vencer a Portuguesa de Desportos por 3 a 1, no Pacaembu, no dia 28 de maio de 1957, gols de Liminha, Valdo (2) e Léo.
No último jogo, no Maracanã, contra o São Paulo, outra grande exibição de Waldo, que brindou a torcida com dois gols na vitória por 2 a 1. Maurinho fez o gol do tricolor paulista.

 
 
Ivan, que estrearia na partida seguinte com o Palmeiras, cumprimenta Jair Santana após a vitória sobre o América por 1 a 0
 
 
Roberto e Clóvis no vestiário após mais uma vitória do Fluminense na campanha invicta no Rio São Paulo
 
 
Waldo, Escurinho e Vitor Gonzales tomam banho depois da vitória sobre o Flamengo, que manteve o Fluminense na liderança
 
 
 
Acima a sequência do incrível gol de Waldo contra o Corinthians, no Maracanã
 
 
Vitor Gonzales substituiu à altura o titular Castilho durante o Rio São Paulo. O chute de Pinga na partida diante do Vasco é defendido pelo goleiro paraguaio
 
 
Comemoração do gol de Léo no empate de 2 a 2 com o Santos
 
 
 
Vitor Gonzales foi o grande herói na vitória de 2 a 0 sobre o Vasco da Gama
 
 
Antes da partida contra a Portuguesa de Desportos, no Pacaembu, Telê e Djalma Santos se cumprimentam na presença de Eunápio de Queirós. Com a vitória por 3 a 1, o Fluminense conquistava o título de campeão do Torneio Rio São Paulo
 
 
 
 
 
Acima a sequência do gol da vitória diante do São Paulo, marcado por Waldo
 
 
Elenco do Fluminense campeão do Torneio Rio São Paulo de 1957: Silvio Pirilo, Vitor Gonzales, Clóvis, Beto, Jair Santana, Roberto, Alberto, Pinheiro, Ivan, Altair, Jair Marinho, Waldo, Cacá; agachados, Escurinho, Léo, Alecir, Paulinho, Djair, Jair Francisco, Osvaldo e Robson


 

segunda-feira, 10 de abril de 2017




                                              60 anos do recorde de Evaristo

 
              Evaristo de Macedo Filho foi um dos maiores atacantes brasileiros nas décadas de 50 e 60. Ele participou com a seleção brasileira do sul-americano de 1957, em Lima, competição em que marcou cinco dos nove gols contra a Colômbia na goleada por 9 a 0, no dia 23 de março de 1957:
 “No sul-americano de 57, nós fizemos uma boa campanha e chegamos à final contra a Argentina com 2 pontos perdidos, devido a derrota para o Uruguai por 3 a 2.  

A Argentina tinha uma grande seleção. A linha era Corbatta, Maschio, Angelillo, Sivori e Cruz. Jogava, ainda, o veterano Nestor Rossi, o goleiro era Dominguez, que depois jogou no Flamengo.  

No sul-americano havia substituição e na final eu joguei apenas 10 minutos. Numa jogada, recebi uma entrada muito forte e tive que sair. Índio entrou no meu lugar. Gilmar, também, se machucou, entrando Castilho. Perdemos por 3 a 0 para um grande time.  

Com relação a partida com a Colômbia, jogamos bem e os meus cinco gols aconteceram naturalmente. Meu recorde ainda não foi batido. Fico feliz por essa marca de cinco gols numa mesma partida na seleção brasileira.” 

O XIX Campeonato Sul-Americano foi disputado no período de 13 de março a 3 de abril de 1957, em Lima. O Brasil terminou como vice-campeão com quatro vitórias (Chile 4 a 2, Equador 7 a 1, Colômbia 9 a 0, Peru 1 a 0) e duas derrotas (Uruguai 2 x 3; e Argentina 0 x 3). 

Evaristo atuou como titular em todas as partidas. No jogo final diante da Argentina, o atacante logo aos 10 minutos se contundiu e foi substituído por Índio.

O Brasil enfrentou a Colômbia no dia 23 de março, no Estádio Nacional de Lima. Marcaram para a seleção brasileira, Pepe aos 27’, Evaristo aos 41’, 44’ e 45’; no 2º tempo, Didi aos 5’ e 15’, Evaristo aos 30’, Zizinho aos 40’ e Evaristo aos 41’.

Dirigiu o jogo o árbitro inglês Erwin Hieger e o Brasil, sob o comando de Osvaldo Brandão, atuou com: Gilmar, Djalma Santos, Edson, Zózimo e Nilton Santos; Roberto Belangero e Didi; Joel (Cláudio), Evaristo, Zizinho e Pepe (Garrincha).

     
 
Jogadores do Brasil no sul-americano de Lima, em 1957: Joel, Garrincha, Índio, Paulinho, Djalma Santos, Evaristo, Dino Sani, Pepe e Didi; Escurinho, Belini, Castilho, Oreco, Edson e Olavo
 
 



 
Os gols da seleção brasileira na sequencia de Jankiel, na Revista Manchete Esportiva

 
Evaristo toma o banho da vitória após marcar os cinco gols contra a Colômbia