quinta-feira, 24 de maio de 2018

A derrota do já ganhou III




                                          A derrota do já ganhou – III
                                                                                                             José Rezende
O gol que o tempo não apagou

             Barbosa, maior goleiro brasileiro no final dos anos 40 e na década de 50 e titular absoluto da seleção brasileira por muitos anos ficou marcado pelo gol de Gighia que decretou a derrota do Brasil na Copa de 50:

             “As jogadas uruguaias eram feitas explorando a velocidade do Gighia, para ele ir à linha de fundo e jogar para trás. No primeiro tempo, eu cortei umas duas bolas. Outra ele centrou mais para trás e o Miguez acertou a bola na trave. Eu estava chamando a atenção dos meus homens de área, que tinham que olhar aquilo, porque eu não podia estar saindo além da marca do pênalti. Chega o segundo tempo e continuam fazendo a mesma coisa. Tanto que na hora que saiu o primeiro gol, eu chamei a atenção que eles só têm essa jogada. Se matar essa jogada acabou. Não tem mais nada. Exatamente no lance do gol, ele veio e eu mais do que nunca estava olhando para ele e se o Schiafino ou Miguez estavam na área. E, realmente, os dois vinham. Nessa ele me pegou no contrapé. Ele mesmo diz que chutou, porque o Bigode vinha correndo e ficou com medo de ser alcançado. Gighia mais se livrou da bola e deu sorte.”

Bigode outro eterno culpado

             Bigode num dos poucos momentos em que falou sobre o jogo Brasil e Uruguai, relembrou o pior dia da sua vida:
“Jogaram em mim toda a culpa do fracasso da seleção brasileira na Copa do Mundo. Mas deixaram de lado a responsabilidade de muitos que não eram jogadores e que foram responsáveis pelo clima de intranquilidade que vivemos às vésperas e no dia da decisão contra o Uruguai. De lá prá cá, fiquei marcado e até quem nunca fora ao Maracanã me acusava. Um dia, quando jantava em um restaurante, ouvi, na mesa do lado, uma mulher comentar: “Nunca fui a uma partida de futebol, mas o culpado pela derrota do Brasil foi o tal do Bigode”.
Mestre Ziza e suas explicações
“São coisas que acontecem no futebol. Eu acredito se nós tivéssemos jogado uma segunda partida contra o Uruguai não teria acontecido a mesma coisa. O mesmo aconteceu com a Hungria, em 54, que era uma máquina.
Vocês, também, tiveram um pouco de culpa, porque foram montadas fotografias, com faixas do Brasil campeão do mundo. Na véspera do jogo nós passamos o dia todo assinando milhares de fotografias, sem termos um minuto de descanso. Houve desconcentração para uma partida de futebol, em São Januário. Ninguém teve mais tempo para nada. Aquela multidão lá dentro...
O Vasco não teve culpa de nada. A culpa foi de quem nos levou para lá. Num momento, eu comentei com o Rui, parece que nós já ganhamos o título. Vamos ter um adversário difícil. Não é contra uma seleção da Europa, é contra o Uruguai. Os uruguaios conhecem demais a gente.
No dia do jogo, nós fomos até retirados da sala de refeição, que acho ser uma hora sagrada para o jogador. Era uma época política e São Januário virou a sede nacional da política brasileira. Tiraram a gente da mesa para ouvir discurso do senhor Cristiano Machado e da comitiva dele, composta por senadores e deputados federais. Quando voltamos a sentar à mesa, tivemos que levantar novamente, porque chegou o Ademar de Barros, com sua comitiva. Quer dizer, o jogo já não tinha mais valor algum. A coisa se tornou uma festa, em São Januário, antes da partida. Se tivéssemos continuado em São Conrado, seria concentração mesmo. Naquela época, pouca gente tinha automóvel. A Barra da Tijuca era um lugar deserto, onde os caras tomavam banhos nus na praia. Só tinha que ter medo dos aviões que davam rasantes em cima dos caras. Era uma Barra livre, mas difícil de chegar.        
Eu tive medo da partida, quando terminou o primeiro tempo, porque nós até podíamos ter goleado os uruguaios. Quando a gente passa um tempo dominando uma partida e o gol não sai, a gente sempre se assusta um pouco. Quando o gol do Friaça saiu, nós já não estávamos bem como no primeiro tempo. A partir dali não sei, houve um gelo no time, uma coisa incompreensível. Não vou responsabilizar ninguém, porque isso foi geral, embora tenham jogadores, ainda hoje, que foram responsabilizados demais. É o caso do Bigode, que até hoje sente na carne. Bigode é um sujeito, que vai a poucos lugares. Uma das poucas casas que ele frequenta é a minha e a do Ademir, porque ele sabe que lá em casa eu não vou deixar falar de futebol com ele, a não ser que ele queira. Mas, se houver uma conversa que não está agradando, eu corto. Não existe nenhum culpado numa equipe de futebol. Quem ganha são os onze, quem perde são os onze”.

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F 01 – Barbosa tira a bola do fundo da rede após o gol que deu o título ao Uruguai
F 02 – No lance do gol de Ghiggia, Bigode aparece com a mão direita na cabeça
F 03 – Para muitos o Brasil já era campeão como prova o permanente do cinema Cineac Trianon destinado ao Mestre Ziza





                                                   A derrota do já ganhou - II


A ausência da Argentina possibilitou a classificação automática da Bolívia e do Chile. Equador e Peru, solidários aos argentinos, deixaram o caminho livre para o Uruguai. Alguns países europeus e asiáticos (Escócia, França, Turquia) também desistiram, reduzindo para treze o número de participantes.
Assim, os grupos formados não tiveram o mesmo número de seleções: grupo I – Brasil, Iugoslávia, México e Suíça; grupo II – Inglaterra, Chile, Espanha e Estados Unidos; grupo III – Itália, Paraguai e Suécia; e grupo IV – Uruguai e Bolívia.
O primeiro colocado de cada grupo se classificou para o quadrangular decisivo, no qual os participantes se enfrentaram, valendo os pontos corridos.
Na primeira fase, os adversários do Brasil foram o México, a Suíça e a Iugoslávia. No dia 24 de junho de 1950, o Maracanã recebeu 81 649 expectadores que assistiram a estréia do Brasil contra o México. Vencemos por 4 a 0 com gols de Ademir (2), Jair e Baltazar.
Enfrentamos os mexicanos com Barbosa, Augusto e Juvenal, Eli, Danilo e Bigode; Maneca, Ademir, Baltazar, Jair e Friaça.
Os torcedores paulistas assistiram a segunda apresentação da seleção brasileira. No dia 28 de junho, o Brasil jogou contra a Suíça, no Pacaembu. Flávio Costa escalou Rui e Noronha, respectivamente, nos lugares de Eli e Bigode, colocando em campo a intermediária do São Paulo. No ataque, saiu Jair entrando Alfredo na ponta-direita com Maneca sendo deslocado para a meia-esquerda.
Alfredo abriu o placar aos 3 minutos, Fatton empatou aos 17 e Baltazar fez o nosso segundo gol aos 32. Faltavam dois minutos para terminar o jogo e Fatton novamente balançou a rede de Barbosa.
O Brasil jogou com Barbosa, Augusto e Juvenal; Rui, Bauer e Noronha; Alfredo, Ademir, Baltazar, Maneca e Friaça.
O time não rendeu o esperado e o empate de 2 a 2 trouxe certa preocupação, porque com as duas vitórias da Iugoslávia (Suíça 3 a 0 e México 4 a 1), ficamos com a obrigação de vencê-la no jogo seguinte, para garantirmos nossa participação no quadrangular final.
Na decisiva partida diante da Iugoslávia, Flávio Costa apelou para Zizinho jogar, mesmo sem condições físicas ideais. Danilo, Bigode e Jair voltaram à equipe e Chico ocupou a ponta-esquerda.
Brasil e Iugoslávia realizaram o melhor jogo da Copa. Jogamos muito bem e vencemos o excelente time iugoslavo por 2 a 0, gols de Ademir, aos 4 minutos, e Zizinho aos 24’ do 2o tempo.
A equipe que conseguiu a classificação atuou com: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Maneca, Zizinho, Ademir, Jair e Chico.
Suécia, Espanha e Uruguai se classificaram nos demais grupos. Os uruguaios, na sua chave, devido à desistência de outros países, enfrentaram apenas a Bolívia. Os bolivianos foram goleados por 8 a 0, no Estádio Independência, em Belo Horizonte.
O regulamento estabelecia que a fase final da Copa fosse disputada pelas seleções classificadas em um quadrangular. Flávio Costa escolheu a ordem dos jogos do Brasil: Suécia, Espanha e Uruguai.
Na reunião com a imprensa esportiva para explicar o critério da escolha, o querido e saudoso Jornalista e Locutor Esportivo Luiz Mendes, posteriormente, o “Comentarista da Palavra Fácil”, alertou o técnico:
“Eu analisava a coisa com isenção. Era o mais jovem dos locutores esportivos nessa ocasião. A CBD, presidida pelo Dr. Mário Polo, que substituía o titular Dr Rivadávia Correia que estava doente, nos reuniu com o Flávio Costa, técnico da seleção, para explicar sobre o quadrangular final.
O Flávio havia escolhido a ordem dos jogos: o primeiro contra a Suécia; o segundo contra a Espanha; e o terceiro contra o Uruguai. Éramos uns vinte cronistas na CBD e o Dr. Mário Polo perguntou se alguém tinha alguma contestação a fazer. Eu, então, levantei o braço e disse que seria melhor colocar o Uruguai como primeiro adversário, porque os uruguaios numa decisão são perigosos pelo espírito deles.
“Isso é gauchada sua”, disse o Fernando Bruce, um dos cronistas, que era do “Jornal da Noite” e do “O Jornal”. Eu respondi que não era gauchada e sim porque morei muitos anos no Rio Grande do Sul e sabia como eram os times uruguaios, que jogavam frequentemente no Rio Grande. Acrescentei, lembrando que há um mês disputamos a Copa Rio Branco com eles, perdendo em São Paulo por 4 a 3 e vencendo no Rio de Janeiro pela diferença apenas de um gol: 3 a 2 e 1 a 0. Acharam que eu não tinha razão. Eu não achava que eram favas contadas, como se diz.”
Arrasamos a Suécia e a Espanha. No dia 9 de julho, os suecos foram goleados por 7 a 1 perante 138 886 pagantes. Ademir abriu a contagem aos 17’, fez o segundo aos 36’ e marcou o terceiro aos 39 minutos; no segundo tempo, Ademir fez mais dois, aos 7’ e aos 13’; o sueco Andersson assinalou de pênalti aos 22’, Maneca foi o autor do sexto gol aos 40’; e Chico encerrou o marcador aos 43 minutos.
Quatro dias depois, arrasamos os espanhóis por 6 a 1 perante 152 772 torcedores, cantando Touradas de Madri do grande compositor Braguinha. Fizemos 3 a 0 no primeiro tempo: Ademir aos 15’, Jair aos 21’ e Chico aos 31 minutos. Chico fez o quarto gol aos 10 minutos do segundo tempo, Ademir dois minutos depois marcou o quinto e Zizinho assinalou o sexto gol brasileiro aos 22 minutos. O gol de honra espanhol foi marcado por Igoa aos 26’.
A única mudança na equipe em relação ao jogo anterior diante dos suecos foi a saída de Maneca, por contusão, substituído por Friaça.
Luiz Mendes nos falou sobre outros motivos que o faziam sentir as dificuldades a serem enfrentadas contra o Uruguai:
“Eu era amigo do Ondino Viera, que foi o maior técnico por aí. Melhor do que Flávio Costa, Zezé Moreira e outros. Ondino era uruguaio, estava no Bangu e tinha sido campeão no Vasco, no Fluminense. Só não foi no Botafogo, porque tinha o Heleno de Freitas. Foi ele que aconselhou o Botafogo a vender o Heleno, se não nunca seria campeão. Vendeu e no mesmo ano foi campeão.
Ondino estava ligado aos patrícios dele. Ele morava perto do Hotel Paysandu, onde estava concentrada a seleção uruguaia. Ele ia lá, conversava, instruía, porque conhecia todos os jogadores da seleção brasileira e quase todos haviam jogado com ele. No Fluminense, Bigode havia jogado com ele; tinha sido técnico do Vasco com Jair, Ademir, Augusto, Chico, todo mundo. Eu tinha medo do Uruguai, por causa dele.
Os jornais saíram no dia do jogo com a manchete: “Brasil campeão do mundo”. Eu tinha esse jornal aqui em casa, mas me roubaram. A Noite Ilustrada com o time brasileiro em fila indiana com o título: “Brasil campeão do mundo”.
Parte dos 173 850 expectadores, consta que foram 200 000, começou a chegar ao Maracanã antes do meio-dia daquela tarde de 16 de julho de 1950. Ninguém admitia a derrota. Todos tinham a certeza de que o Brasil estava a poucas horas de se sagrar campeão mundial.
O primeiro tempo terminou empatado de 0 a 0. Aos sete minutos da etapa final a torcida brasileira vibrou com o gol de Friaça: Brasil 1 a 0. O título estava bem mais próximo, já que o empate seria suficiente.
Luiz Mendes narrou a partida pela Rádio Globo e nos contou o andamento do jogo após o gol brasileiro:
“No jogo, para surpresa geral o Uruguai empata. Nós éramos campeões com o empate e não nos afobamos. Mas, a sete minutos do fim, o Uruguai faz o gol da vitória. O lance era repetido. O primeiro gol uruguaio foi praticamente o vídeo tape do segundo. Só que o segundo eliminou o centro para trás com Schiafino entrando e tocando para dentro.
 No segundo, a jogada se repetiu. O Bigode foi batido, o Gighia chegou ao mesmo lugar, levantou a cabeça e o Barbosa, que estava junto à trave fechando o ângulo, pensou que ele fosse repetir a jogada anterior. Deu um passo para a direita e nesse momento Gighia deu o chute meio de bico e a bola entrou entre a perna esquerda do Barbosa, que estava indo para a direita, e o poste.
Eu descrevi o lance normalmente, como todos os locutores esportivos e disse: “Gol do Uruguai”. Aí senti que o Brasil estava perdendo a Copa do Mundo e me perguntei: “Gol do Uruguai?” E, respondi: “Gol do Uruguai, senhores. Gol do Uruguai”.
Foram nove inflexões diferentes, como comprova a gravação que foi posta no programa “Na grande área”, do Armando Nogueira. Quem tinha essa gravação era o Gerson Sabino, cronista esportivo mineiro, que possuía uma coleção maravilhosa de vídeos e áudios sobre transmissões esportivas. O Sabino compareceu a todas as Copas do Mundo, menos a de 98, porque faleceu antes. Eu tenho essa gravação porque o Armando Nogueira me mandou.
Eu gritei o gol normalmente. Mas diante daquele silêncio impressionante, senti que estávamos perdendo a Copa Mundo.  Foi quando eu me perguntei: “Gol do Uruguai? Gol do Uruguai, senhores. Gol do Uruguai... Vejam só. Gol do Uruguai... E, assim, eu fui até a nona inflexão diferente. A decepção em cada uma delas retratada.
O estádio ficou num silêncio mortal, uma coisa impressionante. Dava-se para ouvir a vibração do Obdúlio Varela, dos jogadores uruguaios festejando o título no centro do campo. Depois numa crônica que escrevi sobre esse fato eu coloquei: foi a única vez em que se pode ouvir o silêncio.
No Rio de Janeiro, dois, três dias depois a gente andava na Avenida Rio Branco e só se ouvia as buzinas, os motores dos lotações, dos carros, dos bondes que circulavam na Galeria Cruzeiro, onde hoje é o edifício Avenida Central. Vozes humanas você não ouvia, todo mundo andava em silêncio.
Eu não culpo o Barbosa, nem o Juvenal, nem o Bigode. O Uruguai foi melhor e ganhou. O Zizinho diz isso, acrescentando que eles tinham um grande time.”
Os gols uruguaios foram marcados por Schiafino aos 21 minutos e Gighia fez o do título aos 34. O Brasil enfrentou o Uruguai com: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico.
O Uruguai no quadrangular final empatou com a Espanha de 2 a 2 e venceu a Suécia por 3 a 2.


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F 01 - Ademir abre a contagem contra o México na estréia do Brasil na Copa de 1950.
F 02 - Baltazar ampliou o marcador para 3 a 0.
F 03 - Ademir abre o placar diante dos iugoslavos.
F04 - O ataque brasileiro perdeu boas oportunidades e em alguns momentos Flávio Costa demonstrou preocupação ao lado do Dr. Paes Barreto. O Brasil vencia por 1 a 0.
F05 - Torcedores descem a rampa do Maracanã, festejando a vitória e a classificação para o quadrangular final. Brasil e Iugoslávia realizaram o melhor jogo do mundial.
F 06 - Ramallete neutraliza a investida de Chico na goleada sobre a Espanha.
F 07 - Friaça abre a contagem contra o Uruguai, aumentando a confiança da torcida brasileira na conquista do título mundial.
F 08 - Chico também perdeu boas oportunidades. Essa Máspoli defendeu.
F 09 - Danilo Alvim era a expressão da derrota brasileira.
F 10 – Mestre Ziza, eleito o melhor jogador da Copa, é consolado por Máspoli após a partida.









                A derrota do já ganhou – I -

            A Segunda Guerra Mundial, iniciada um ano e três meses após a Copa de 1938, deixou os anos quarenta sem as emoções de uma Copa do Mundo.  Jogadores extraordinários, especialmente, argentinos e brasileiros deixaram de mostrar ao mundo a arte de jogar futebol. Nessa época, as seleções argentina e brasileira e, até mesmo, a uruguaia possuíam uma fartura de craques.
A ausência da Argentina na Copa de 50 frustrou, sem dúvida, craques como Carrizo, Nestor Rossi, Labruna, Moreno, Boyé, Lostau, Mendez, Pedernera, Di Stéfano e tantos outros. 
Do lado brasileiro Zizinho, Jair Rosa Pinto, Ademir, Bauer, Danilo tiveram a chance de disputar o mundial de 50, mas poderiam ter participado dos mundiais de 42 e 46 com Leônidas, Domingos, Romeu, Tim, Heleno de Freitas, se não houvesse a guerra.
Alguns fatos são apontados no livro “Brasil x Argentina – histórias do maior clássico do futebol mundial (1908 – 2008)” escrito por Newton César de Oliveira Santos:
“A Argentina ficou de fora, alegando oficialmente que seu campeonato local estava em andamento e que sua participação seria prejudicada pelo êxodo de jogadores causado pelo “El Dourado Colombiano” (referência ao campeonato sul-americano 1949). A mesma razão foi usada também para comunicar a não participação na Copa do Mundo que seria realizada no ano seguinte, também, no Brasil.
Extra oficialmente, a ausência dos argentinos foi considerada um ato de protesto contra a Conmebol, uma vez que a AFA se sentiu traída pela entidade sul-americana ao não receber apoio para sediar o mundial de 50.
 Na verdade, o que circulou na ocasião foi que o governo Perón preferia evitar o risco de manchar a aura vencedora da seleção Argentina arriscando-se a não ganhar a Copa. Afinal de contas, seria difícil montar um selecionado do nível das equipes que haviam conquistado três campeonatos sul-americanos consecutivos, estando os principais jogadores atuando na Colômbia”.
            Em 1946, o congresso da FIFA, realizado em Luxemburgo, oficializou o Brasil como sede da IV Copa do Mundo, inicialmente marcada para 1949. As dificuldades que envolviam a organização do grande evento adiaram o mundial para o ano seguinte.
            O Brasil possuía alguns bons estádios para a época como o Couto Pereira, em Curitiba, a Ilha do Retiro, em Recife, o Independência, em Belo Horizonte, São Januário, no Rio de Janeiro e o Pacaembu, em São Paulo.
No início dos anos quarenta, a Prefeitura de São Paulo construiu o Pacaembu. A partir daí, a idéia de se construir um grande estádio ganhou força. De fato, o sonho passou a caminhar para a realidade após a escolha oficial do Brasil, em 1949, como sede da IV Copa do Mundo.
Construído o tão sonhado Estádio Municipal, orgulho da engenharia brasileira, no bairro do Maracanã, o Brasil mostrara a todos que tinha a capacidade de erguer o maior palco de futebol do mundo.
No dia 16 de junho, um mês antes do início da Copa, o Maracanã foi inaugurado com a partida entre as seleções de novos do Rio e de São Paulo. Os paulistas venceram por 3 a 1. Waldir Pereira, o Didi, entrou para a história por ser o autor do primeiro gol no novo estádio ao abrir a contagem.
No final da década de quarenta, os dois melhores times brasileiros eram o São Paulo e o Vasco da Gama. O tricolor paulista conquistara cinco campeonatos e o clube de São Januário, com o seu “Expresso da Vitória”, ganhara os títulos cariocas de 45, 47, 49 e em 48 se sagrara Campeão dos Campeões, no Chile. Nada mais lógico que Flávio Costa, técnico do Vasco, e Vicente Feola, técnico do São Paulo, fossem os escolhidos para dirigir o selecionado brasileiro.
São Paulo e Vasco formaram a base da seleção brasileira. Foram chamados os são-paulinos Rui, Bauer, Noronha e Friaça; e os vascaínos Barbosa, Augusto, Eli, Danilo, Alfredo, Maneca, Ademir e Chico. Os nove jogadores restantes eram: Castilho (Fluminense), Juvenal (Flamengo), Nena (Internacional), Nilton Santos (Botafogo), Bigode (Flamengo), Zizinho (Bangu), Baltazar (Corinthians), Adãozinho (Internacional), Jair (Palmeiras) e Rodrigues (Palmeiras).
No ano anterior à Copa do Mundo, disputamos o Campeonato Sul-americano, no Brasil, e em maio de 1950 a Copa Rio Branco com o Uruguai e a Taça Osvaldo Cruz com o Paraguai.
Ganhamos fácil o sul-americano. Aplicamos goleadas sobre o Equador (9 a 1), a Bolívia (10 a 1), a Colômbia (5 a 0), o Paraguai (7 a 0), o Peru (7 a 1), e o Uruguai (5 a 1). Esse último se apresentou com seu time reserva. Vencemos o Chile por 2 a 1, e perdemos para o Paraguai também por 2 a 1, na última rodada. Na partida extra, goleamos os guaranis por 7 a 0.
Diante dos uruguaios, na Copa Rio Branco, em 6 de maio de 1950, a seleção brasileira titular, que atuava de camisas brancas, perdeu por 4 a 3, no Pacaembu. No dia seguinte, a seleção reserva, de uniforme azul, ganhou do Paraguai por 2 a 0, em São Januário.
No dia 13 de maio, os reservas empataram com os paraguaios de 3 a 3, no Pacaembu, e os titulares, no dia 14 de maio, ganharam dos uruguaios por 3 a 2, em São Januário.
Na terceira partida diante do Uruguai, para decidir a Copa Rio Branco, vencemos por 1 a 0, no dia 17 de maio, em São Januário, gol de Ademir. A celeste olímpica disputou os jogos da Copa Rio Branco com os titulares..
O jornalista Mário Filho, grande incentivador da construção do Maracanã, por intermédio de matérias escritas no Jornal dos Sports, fez pesadas críticas sobre a atuação da seleção brasileira diante dos uruguaios, chamando a atenção para a má forma física de alguns jogadores.


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F01 - Didi recebe de Carlyle e faz o gol histórico, o primeiro marcado no Maracanã.
F02 – Gráfico dos gols na partida entre carioca e paulistas que inaugurou o Maracanã.
F03 – Cartaz alusivo à Copa do Mundo de 1950.

sábado, 7 de outubro de 2017





                                     O pênalti de Domingos em Piola - III a -

                                             Série Brasil, Copas e Craques

Como vimos, o futebol brasileiro fracassou nas duas primeiras Copas do Mundo. No Uruguai, em 1930, o Brasil não se fez representar com a sua melhor seleção. A briga entre os dirigentes do Rio e de São Paulo tirou os jogadores paulistas do mundial. Não havia na Comissão Técnica nenhum representante de São Paulo, gerando o descontentamento. Araken Patuska, que estava sem clube, foi o único paulista na seleção.

Quatro anos depois, as divergências continuavam a prejudicar o futebol brasileiro. Agora, era a briga entre a CBD, entidade de clubes amadores, e a FBF, cujos filiados eram clubes profissionais. As agremiações da Federação Brasileira de Futebol se negaram a ceder seus jogadores. Por interferência de Carlito Rocha, alguns profissionais concordaram em participar da seleção, como foi o caso de Leônidas da Silva. 

Classificado nas eliminatórias com a desistência do Peru, o Brasil disputou as oitavas de final em jogo único, sendo eliminado pela Espanha ao ser derrotado por 3 a 1.

Na III Copa do Mundo, disputada na França, pela primeira vez o futebol brasileiro estava representado pelos seus melhores jogadores. A estreia foi contra a Polônia. No tempo normal houve o empate de 4 a 4 e na prorrogação conseguimos chegar a vitória por 6 a 5. Depois enfrentamos duas vezes a Tchecoslováquia. O empate de 1 a 1 foi o resultado da primeira partida e no jogo desempate ganhamos por 2 a 1 e nos classificamos para as semifinais. O adversário era a poderosa campeã do mundo, a Itália. 

Mesmo sem Leônidas, seguramos o empate de 0 a 0 no primeiro tempo. Num contraataque italiano aos 11 minutos do segundo tempo, Colaussi abriu a contagem. O lance decisivo da partida aconteceu quatro minutos depois. O árbitro suíço M. Wutrich marcou pênalti de Domingos da Guia em Piola, fato que dificultou a reação brasileira para superar a vantagem adversária.  
 
Os jornais que cobriam o mundial publicaram várias matérias sobre o tão discutido lance com destaque para a imprensa francesa. O jornalista francês A.Chantrel, no jornal “Sporting”, de Paris, escreveu: 

“Em Marselha, os brasileiros realizaram uma péssima partida. Romeu, Luizinho e Perácio, sucessivamente, tentaram substituir Leônidas, no centro da linha avante. Mas foi em vão. A turma brasileira desarticulada, fatigada, foi dominada pela Itália. Não obstante a superioridade do adversário, os brasileiros foram batidos por um pênalti dos mais discutíveis. De fato, enquanto a bola se encontrava a quarenta metros da linha, Domingos deu um pontapé em Piola. Este tomba e o juiz, voltando-se, sem hesitação, concede a penalidade. A meta não estava ameaçada, pois a bola não estava em jogo. 

Houve falta é evidente, mas o Sr. Wutrich seria mais inspirado se fizesse sair Domingos do que oferecer um ponto aos italianos, tanto mais que ele poderia pensar – e teria acertado – que Domingos não cometeu essa falta de sangue frio, mas sim em revide a uma provocação. De qualquer modo foi esse o ponto da vitória e da eliminação dos brasileiros”. 

Em outro jornal esportivo, “O Football”, de Paris, o jornalista Gabriel Hanot expôs a sua opinião: 

“Existe uma só mancha no puro cristal do futebol praticado por Silvio Piola. É uma certa tendência a dissimulação. Em Marselha, quando recebeu os golpes do grande Domingos, Piola atirou-se ao solo para obter  um pênalti a favor da sua equipe. O árbitro suíço M. Wutrich ficou, com efeito, alarmado e concedeu injustamente o pênalti que Meazza transformou em gol da vitória, enquanto Piola se levantava absolutamente indene!...”.

O grande Domingos da Guia, autor do pênalti, no livro “O Divino Mestre”, do jornalista inglês Aidan Hamilton, falou sobre o discutido lance:

“Durante todo o “match” fui provocado pelo centroavante. Recebera ordens de Pimenta no sentido de não largar o craque italiano: “Você será a sombra de Piola”. E foi o que aconteceu. Antecipava-me, com facilidade e, nas bolas altas, procurava sempre confundi-lo. Lá pelas tantas, Piola perdeu a cabeça e desandou a dizer palavrões. Explodia: “Você não me larga, não é? Pois vai se arrepender”. Às ameaças do adversário, todos sorríamos. Até que ele começou, de fato, a distribuir pontapés. Os palavrões de Piola, que vinham em italiano, eram devidamente traduzidos e devolvidos.

Aos quinze minutos da fase complementar, ainda com o Brasil em pleno domínio, a defesa italiana rechaçou uma bola. Pulamos, eu e Piola. Estávamos no setor esquerdo e o centroavante, vendo o meia em boa posição, tentou cruzar. Ora, eu vinha marcando em cima e a cabeçada do adversário saiu defeituosa. O juiz consignou bola fora. Quando voltava para posição, fui surpreendido com a violência do rapaz.

Cinicamente, o italiano atingiu o meu tornozelo. Cego de dor e de ódio, revidei. Foi o bastante. O árbitro, que não vira o lance anterior, usou o apito. Eis um momento inesquecível da minha vida. Todos os jogadores do Brasil ficaram atônitos. Martim, capitão da equipe, foi falar com o juiz. Esse respondeu no seu idioma. Alucinado, o centromédio perguntou: “O senhor é ladrão?”. O juiz confirmou, acenando. Com o mal consumado, nasceram alguns protestos dos dirigentes. Mas já não mais seria possível remediar a situação. A bola foi colocada na marca de cal e o placar modificado”.

Romeu, ainda, fez o gol de honra brasileiro aos 41 minutos. A seleção terminou a Copa com uma bela vitória diante da Suécia por 4 a 2, em disputa do 3o lugar.

O pênalti de Domingos em Piola aconteceu no dia 16 de junho de 1938 e faz parte dos inúmeros lances polêmicos que enriquecem a história do fascinante mundo do futebol.

 

 
 
Foto – Lance do jogo Itália 2 x Brasil 1. Walter procura evitar a cabeçada de Piola, enquanto Domingos da Guia e Martim fazem a cobertura do goleiro brasileiro.

 

 

 

 

 

 




                     Na França, grandes craques e muitos problemas - III -
                                           Série Brasil, Copas e Craques

Finalmente, o futebol brasileiro conseguiu reunir seus melhores jogadores para representá-lo no mundial de 1938, na França. Sem conflitos entre as entidades dos principais centros futebolísticos nacionais, Rio e São Paulo, Ademar Pimenta, o técnico escolhido pela CBD, pode convocar os jogadores de sua preferência. Possuíamos grandes craques e a maioria esmagadora dos torcedores brasileiros aprovou os nomes convocados pelo nosso treinador.
Desde o período de preparação na cidade mineira de Caxambu, segundo os jornalistas que cobriam o dia-a-dia da seleção, a disciplina ficava aquém do desejável num grupo que se preparava para uma Copa do Mundo. Com frequência, os atrativos noturnos dos hotéis da bela estância hidromineral encantavam os integrantes da nossa seleção.
A seleção finalizou os treinamentos no Rio e em São Paulo. Com a desistência da Bolívia, seu adversário nas eliminatórias, o Brasil se classificou mais uma vez sem jogar.
Foram classificados para o mundial de 1938 quinze países: Alemanha, Bélgica, Brasil, Cuba, França, Holanda, Hungria, Índias Holandesas, Itália, Noruega, Polônia, Suécia, Suíça, Romênia e Tchecoslováquia. O sistema era mais uma vez eliminatório.
No dia 30 de abril, a delegação deixou o Rio de Janeiro a bordo do navio “Arlanza”. Quinze dias depois os brasileiros estavam em Paris. O primeiro adversário era a Polônia, em Estrasburgo, no dia 5 de junho.
O elenco estava dividido em dois grupos: a equipe azul formada por Batatais (Fluminense), Domingos (Flamengo) e Machado (Fluminense), Zezé Procópio (Botafogo), Martim Silveira (Botafogo) e Afonsinho (São Cristóvão); Lopes (Corinthians), Romeu (Fluminense), Leônidas (Flamengo), Perácio (Botafogo) e Hércules (Fluminense); e a equipe branca com Walter (Flamengo), Jahú (Vasco da Gama) e Nariz (Botafogo); Brito (América), Brandão (Corinthians) e Argemiro (Portuguesa Santista); Roberto (São Cristóvão), Luizinho (Palestra Itália – SP), Niginho (Vasco da Gama), Tim (Fluminense) e Patesko (Botafogo).
Deixando-se influenciar pelas opiniões de dirigentes e jornalistas, Ademar Pimenta demonstrava total insegurança quanto à escalação do time brasileiro. Uma das críticas feitas a Pimenta era a separação das alas formadas por Tim e Hércules, no Fluminense, e por Perácio e Patesko, no Botafogo.  
            O jogo de estréia contra a Polônia foi dramático. O campo enlameado dificultava as ações das duas equipes e as mudanças no placar traziam a incerteza quanto ao resultado da partida.
            Leônidas abriu o marcador aos 18 minutos de jogo. Cinco minutos depois, Szerfke, de pênalti, igualava o marcador. Romeu desempatava logo a seguir aos 25. Faltava um minuto para terminar o 1o tempo e Perácio fazia o terceiro gol brasileiro. Aos 5 minutos do 2o tempo, Piontek marcou o segundo gol polonês e nove minutos depois Willimowski empatou. Perácio aos 26 venceu novamente o goleiro Madejski. Faltavam dois minutos e a Polônia igualou o marcador por intermédio de Willimowski. Tudo igual: 4 a 4. Agora a prorrogação.
            O árbitro sueco I. Eklind autorizou a saída e o Brasil partiu para o ataque em busca do desempate. Aos três minutos Leônidas assinalou o 5o gol brasileiro e aos 12 fez o sexto. Os poloneses não se entregaram e marcaram aos dois minutos da segunda fase do tempo extra. Final Brasil 6 x Polônia 5.
O Brasil jogou com Batatais (Fluminense), Domingos (Flamengo) e Machado (Fluminense); Zezé Procópio (Botafogo), Martim (Botafogo) e Afonsinho (São Cristóvão); Lopes (Corinthians), Romeu (Fluminense), Leônidas (Flamengo), Perácio (Botafogo) e Hércules (Fluminense).
            O segundo adversário do Brasil era a Tchecoslováquia, vice-campeã mundial de 34. A partida no Estádio Municipal, em Bordeaux, no dia 12 de junho, terminou com o empate de 1 a 1. O time sofreu apenas uma alteração com a entrada de Walter no lugar de Batatais.
            Leônidas inaugurou o placar aos 30 minutos e no segundo tempo Nejedly marcou para os tchecos aos 19 minutos, batendo uma penalidade máxima cometida por Domingos da Guia.
            Os lances violentos se sucediam, obrigando o árbitro húngaro Paul Hertzka a expulsar três jogadores, além de vitimar outros três. Zezé Procópio saiu mais cedo por atingir Nejedly com um pontapé; Machado e Riha foram expulsos por agressão mútua; Perácio e Leônidas se contundiram gravemente; e o goleiro Planicka teve a clavícula deslocada num choque com Perácio.
            O Brasil atuou com Walter (Flamengo), Domingos e Machado; Zezé Procópio, Martim e Afonsinho; Lopes, Romeu, Leônidas, Perácio e Hércules.
Como o vencedor seria um dos semifinalistas, houve a necessidade da realização de novo jogo. Dois dias depois estavam em campo novamente no Estádio Municipal de Bordeaux as seleções do Brasil e da Tchecoslováquia.
Ademar Pimenta mudou totalmente a equipe brasileira. Leônidas foi a exceção. Mantido no comando do ataque, teve sua contusão agravada e ficou fora do jogo com a Itália. O Brasil terminou o primeiro tempo perdendo por 1 a 0 gol de Kopecky aos 30 minutos. Na etapa final, o time brasileiro conseguiu virar o marcador e chegou à vitória com gols de Leônidas aos 11 minutos e de Roberto aos 18.
A seleção brasileira formou com Walter (Flamengo), Jahú (Corinthians) e Nariz (Botafogo); Brito (América), Brandão (Corinthians) e Argemiro (Portuguesa Santista); Roberto (São Cristóvão), Luizinho (Palestra Itália – SP), Leônidas (Flamengo), Tim (Fluminense) e Patesko (Botafogo). 
Classificado para as semifinais, o Brasil teve pela frente a Itália, campeã mundial de 1934. O problema era a ausência de Leônidas, sem condição de jogo, devido à contusão sofrida na primeira partida diante dos tchecos. Seu natural substituto seria Niginho, do Vasco da Gama.
            O Dr. José Maria Castelo Branco, chefe da delegação e que exercia também a função de médico, falou com Ademar Pimenta para não escalar Niginho, porque a Federação Italiana mantinha seu contrato com a Lazio perante a FIFA. O jogador havia deixado o clube italiano, retornando ao Brasil para jogar no Palestra Itália (atual Palmeiras).
            O técnico brasileiro optou pela manutenção de Luizinho, barrando Tim e escalando Romeu de centro-avante. Em Marselha, no Estádio Jean Boin “Velodrome”, no dia 16 de junho, a Itália ganhou do Brasil por 2 a 1.
            Os comandados de Vittorio Pozzo abriram o placar aos 10 minutos do 2o tempo por intermédio de Colaussi. Meazza aumentou a vantagem de pênalti aos 15, diminuindo as chances de reação da seleção brasileira. Romeu fez o gol brasileiro aos 42 minutos.
            Perdemos para a Itália com Walter, Domingos e Machado; Zezé Procópio, Martim e Afonsinho; Lopes, Luizinho, Romeu, Perácio e Patesko.
            Fomos disputar o 3o lugar com a Suécia que havia perdido na outra semifinal para a Hungria por 5 a 1. Enfrentamos os suecos em Bordeaux e vencemos por 4 a 2. Batatais retornou à meta brasileira; Brandão entrou no lugar de Martim; Roberto substituiu Lopes na ponta-direita; Romeu ocupou sua posição de meia; e Leônidas retornou ao comando do ataque.
            A exibição brasileira foi muito elogiada, destacando-se a atuação de Leônidas. O primeiro tempo terminou com a vantagem sueca por 2 a 1 gols de Jonasson aos 13 minutos, Nyberg aos 23 e Romeu aos 42 minutos. Leônidas marcou aos 7 e aos 25 do segundo tempo e Perácio encerrou o marcador aos 35 minutos.
            Conseguimos a 3a colocação na Copa de 38 jogando com Batatais, Domingos e Machado; Zezé Procópio, Brandão (Corinthians) e Afonsinho; Roberto, Romeu, Leônidas, Perácio e Patesko.
            As emoções da Copa de 38 foram transmitidas pelo locutor esportivo Gagliano Neto através das ondas da Rádio Cruzeiro do Sul. Os filmes das partidas do Brasil eram aguardados com ansiedade e lotavam a sala do cinema Capitólio, na Cinelândia.
            O Brasil fizera uma boa campanha e seu futebol passou a ser admirado pelo resto do mundo.










Foto 01 – Mensagem do técnico Ademar Pimenta para a torcida brasileira antes de embarcar para a França.

Foto 02 – Jogadores integrantes do elenco brasileiro na Copa do Mundo de 1938: a partir da esquerda de cima para baixo, Brandão, Batatais, Martim, Leônidas, Domingos, Patesko, Perácio, Nariz, Afonsinho, Hércules, Roberto, Romeu, Argemiro, Lopes, Walter, Jahu, Zezé Procópio, Brito, Ademar Pimenta (técnico), Niginho, Luizinho, Tim e Machado.

Foto 03 - A Gazeta de Notícias de 5 de junho de 1938 anunciava a estréia do Brasil na Copa do Mundo.                  

Foto 04 - A Gazeta de Notícias de 7 de junho de 1938 fazia referência a atuação de Leônidas na partida entre Brasil e Polônia.

Foto 05 – O cinema Capitólio, na Cinelândia, projetava os filmes dos jogos do Brasil. Vemos o anúncio da partida Brasil 6 x Polônia 5.

Foto 06 - Domingos disputa a bola com o atacante italiano, Walter sai para defender e Martim observa.

Foto 07 - A seleção brasileira formada, no Estádio Municipal de Bordeuax, antes da partida que decidiu o 3o lugar da Copa de 38: a partir da esquerda, Leônidas, Batatais, Perácio, Domingos da Guia, Brandão, Zezé Procópio, Machado, Roberto, Romeu, Afonsinho, Patesko e Ademar Pimenta.

Foto 08 - Primeiro gol brasileiro marcado por Romeu diante da Suécia.

Foto 09 - Uma multidão aguardava no porto do Rio de Janeiro a chegada dos jogadores brasileiros.

Foto 10 - A delegação brasileira é recebida festivamente na sede do Botafogo de Futebol e Regatas.